Black Friday a 27 de novembro: a regra dos 30 dias e o que a sua loja online deve cumprir
A Black Friday é a 27/11. Em Portugal o desconto tem de partir do preço mais baixo dos 30 dias. Veja o que a loja online deve mostrar.

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A Black Friday de 2026 é a 27 de novembro. Em Portugal, qualquer desconto anunciado nessa campanha só é legal se for calculado sobre o preço mais baixo a que o mesmo produto foi vendido na mesma loja nos 30 dias consecutivos anteriores. A etiqueta ou a página de produto tem de mostrar, de forma visível, o novo preço e esse preço de referência. A percentagem de desconto é facultativa.
A regra está em vigor desde maio de 2022 e a DECO PROteste volta a lembrar, a 4 de novembro, que muitos comerciantes continuam a contorná-la, sobretudo com comparações ao PVPR. Se tem uma loja online, o risco não é só a coima: é também a confiança do cliente e a fiscalização da ASAE. Neste artigo resumimos o que a lei exige e o que deve rever no site antes da campanha.
O que diz a regra dos 30 dias
Segundo a DECO PROteste, um comerciante só pode anunciar saldos, promoções ou reduções de preço se o desconto partir do preço mais baixo praticado nos 30 dias consecutivos anteriores, na mesma loja. Os dias em que o produto já esteve em saldo ou em promoção também contam para esse cálculo. Já não é permitido excluí-los, como acontecia na versão anterior da lei.
Há três exceções e pormenores úteis para quem gere catálogo:
- Produtos perecíveis ou com validade curta. Em produtos agrícolas e alimentares perecíveis, ou com quatro semanas de validade, o período de referência é de 15 dias, não de 30.
- Produtos novos na loja. Se o artigo nunca foi vendido naquela loja, só pode entrar em promoção (não em saldos) e o desconto tem de corresponder à diferença entre o preço da campanha e o preço que passará a praticar depois.
- Saldos vs. promoções. Os saldos só podem ocupar 124 dias por ano, seguidos ou interpolados. As promoções podem decorrer em qualquer momento, mas continuam sujeitas à regra do preço de referência.
O anúncio deve indicar a data de início e a duração da redução. Subir o preço poucos dias antes da Black Friday para depois «descontar» sobre esse valor mais alto é ilegal.
O PVPR não serve como base do desconto
Muitas lojas mostram um preço riscado com a etiqueta PVPR (preço de venda ao público recomendado) ou expressões como «preço habitual». A DECO PROteste alerta que esse valor nem sempre coincide com o preço mínimo dos 30 dias naquela loja e pode nunca ter sido praticado ali. Usá-lo para sugerir um desconto que não existe induz o consumidor em erro.
Na prática, na página de produto e no carrinho deve aparecer:
- o preço final a pagar (com impostos);
- o preço de referência dos 30 dias, se anunciar redução;
- a data de início e o fim da campanha, quando anuncia a redução.
A percentagem («−40%») é opcional. Se a mostrar, tem de bater certo com a diferença entre o preço atual e o preço mais baixo dos 30 dias, não com um PVPR inventado.
O que a fiscalização tem encontrado
Na Black Friday e na Cyber Monday de 2025, uma ação coordenada da rede europeia de defesa do consumidor (CPC) analisou 314 comerciantes online. Cerca de 30% apresentavam descontos incorretos face à Diretiva das Indicações de Preços, que exige que o preço de referência seja o mais baixo dos 30 dias anteriores. Em Portugal, a coordenação coube à Direção-Geral do Consumidor e a fiscalização operacional à ASAE, segundo o Diário do Distrito.
A mesma operação apontou outras práticas problemáticas: produtos opcionais adicionados ao carrinho sem consentimento claro, comparações de preço sem base transparente, alegações de escassez ou cronómetros enganosos e custos ocultos no fim da compra. O Leak.pt nota que a DECO já pediu à ASAE que reforce a fiscalização neste período.
A violação do regime das práticas comerciais com redução de preço constitui contraordenação económica grave. Compete à ASAE aplicar a coima, tendo em conta a gravidade, a duração e os benefícios obtidos, entre outros fatores indicados pela DECO.
Checklist para a loja online antes de 27 de novembro
Se vende em WooCommerce, Shopify, Prestashop ou noutra plataforma, estes pontos evitam a maior parte dos erros:
- Exporte o histórico de preços dos últimos 30 dias (melhor ainda, 45) por SKU. Sem histórico fiável, não consegue provar o preço de referência.
- Calcule o desconto só sobre o mínimo desses 30 dias na sua loja, não sobre o PVPR nem sobre um preço «de catálogo».
- Mostre preço final e preço de referência na ficha de produto, na listagem e no carrinho. O total com portes deve aparecer antes do pagamento.
- Indique datas da campanha (início e fim) onde anuncia a redução.
- Não aumente preços agora para os baixar a 27. Se já o fez, o preço de referência continua a ser o mais baixo dos 30 dias, incluindo esse aumento.
- Mantenha a política de trocas e devoluções igual à do resto do ano ou, se a alterar, torne a alteração bem visível, juntamente com os meios de pagamento aceites.
- Nas compras à distância, o cliente tem 14 dias para desistir sem justificação. Se a loja não informar desse direito, o prazo pode alargar-se, segundo a DECO. Confirme também o botão de livre resolução.
- Evite urgência falsa («só restam 2!» sem stock real, cronómetros inventados). Estas práticas foram assinaladas no sweep europeu de 2025.
Como isto se liga ao resto da temporada
A regra dos 30 dias não é o único prazo a marcar no calendário. A 20 de novembro entram em vigor mudanças no «compre agora, pague depois» relevantes para quem oferece pagamento fracionado. Continuam também as lojas falsas que copiam marcas verdadeiras e a pressão competitiva das plataformas de fora da UE, afetadas pela taxa de 2 € nas encomendas da Temu e da Shein.
No nosso guia Black Friday e Natal 2026 há uma lista mais ampla para performance, checkout e stock. A regra dos preços é o ponto legal que mais falha nas fiscalizações: trate-o à parte, com dados e capturas de ecrã, antes de disparar as campanhas de anúncios.
O que fazer esta semana
Tem cerca de três semanas até 27 de novembro. Comece pelo histórico de preços e pela forma como a ficha de produto mostra o desconto. Se o site ou a loja já está sob pressão de visitas, uma auditoria gratuita da MarcaWeb ajuda a ver HTTPS, formulários, velocidade e páginas críticas do checkout. Depois, alinhe marketing e catálogo: um desconto ilegal anunciado no Meta Ads ou no Google Ads continua ilegal, mesmo que o anúncio seja bem clicado.
Resumindo: a Black Friday de 2026 não muda a lei dos 30 dias, mas aumenta a atenção dos consumidores e das autoridades. Mostre o preço certo, com a referência certa, e a campanha ganha em conformidade e em confiança.


