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Black Friday 2026: lojas falsas copiam marcas verdadeiras. Como proteger a sua loja online

Na Black Friday, lojas falsas copiam logótipos e preços de marcas reais. Veja como proteger a sua loja online e os seus clientes antes de 27 de novembro.

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  • 6 min de leitura

A Black Friday de 2026 calha a 27 de novembro, com descontos que se prolongam pelo fim de semana e a Cyber Monday logo a seguir, a 30. Para quem vende online, são as semanas mais importantes do ano. São também as preferidas de quem cria lojas falsas: sites que copiam o logótipo, as fotografias e os preços de marcas verdadeiras para ficar com o dinheiro e os dados dos cartões de quem compra.

O problema não é só dos clientes. Quando uma loja clonada usa o seu nome, é a sua empresa que recebe as queixas e perde a confiança. Explicamos o que dizem os números e o que pode fazer já.

O que dizem os números

A Check Point Research acompanhou a última campanha e publicou os resultados em novembro de 2025, como noticiou o Techenet. Em comentário da própria empresa, os investigadores contam 158 novos domínios ligados à Black Friday registados em outubro de 2025, mais 93% do que a média mensal do ano, e mais de 330 só nos primeiros dez dias de novembro. Entre os domínios novos observados nesse período, 1 em cada 11 foi classificado como malicioso.

O mesmo relatório descreve o método. Muitos endereços combinam o ano, o nome de um país e palavras como "blackfriday", "shop" ou "store", o que sugere registos em massa feitos com modelos automáticos. Um dos casos analisados, hokablackfriday[.]com, copiava a loja da marca de calçado HOKA, com logótipos verdadeiros e preços reduzidos, para roubar dados de cartões.

Em Portugal, o padrão repete-se. A DECO PROteste alertou para anúncios e vídeos falsos em nome das lojas Gato Preto no Facebook, no Instagram e no TikTok, com "grandes liquidações", "encerramento de loja" e descontos até 90%, que encaminhavam para sites que não eram o oficial. O Portal da Queixa descreve lojas falsas criadas com inteligência artificial, com aspeto profissional e anúncios segmentados, que desaparecem quando começam as reclamações. Segundo o seu Barómetro Anual do Consumo 2025, houve 238 698 reclamações no ano, e 8,04% diziam respeito a fraude ou tentativa de burla.

Porque é que isto afeta a sua loja

Os clientes estão desconfiados, e com razão. Num inquérito feito pela Dynata para a Revolut em outubro de 2025, junto de mil portugueses, só 13% disseram sentir-se "muito confiantes" a identificar sites falsos ou ofertas fraudulentas durante a Black Friday, segundo o ECO. Um em cada cinco jovens da Geração Z disse já ter perdido dinheiro para burlões em compras online.

A desconfiança chega às lojas verdadeiras. De acordo com dados do Portal da Queixa citados pelo SAPO a 16 de outubro, 77,5% dos consumidores portugueses acham que a Black Friday deixou de fazer sentido, e em novembro de 2025 a plataforma recebeu 9778 reclamações, mais 7,76% do que um ano antes.

O inquérito da Revolut mostra também que 57% dos inquiridos dizem comprar em sites ou aplicações de confiança. Se a sua loja não parecer verificável, perde a venda, mesmo sendo verdadeira.

O que fazer antes de 27 de novembro

1. Facilite a verificação

A DECO, o Portal da Queixa e a Direção-Geral do Consumidor aconselham os consumidores a confirmar quem está por trás da loja antes de pagar. Facilite-lhes essa verificação e mostre, sem esconder:

  • nome da empresa, NIF, morada e contactos reais (telefone e email com o domínio da loja);
  • condições de venda, de envio e de devolução fáceis de encontrar;
  • acesso ao Livro de Reclamações Eletrónico, obrigatório para os fornecedores de bens e prestadores de serviços desde 1 de julho de 2018, segundo a DGAE;
  • ligações para as redes sociais oficiais, e das redes sociais para o site.

Lembre-se de que o cadeado do HTTPS não chega como prova: o Portal da Queixa sublinha que indica uma ligação segura, mas não garante que a loja seja legítima. Explicamos as restantes obrigações legais em O que o site da sua empresa tem de mostrar por lei.

2. Diga aos clientes qual é o endereço oficial

Antes da campanha, publique no site, na newsletter e nas redes sociais o endereço exato da loja e os canais oficiais. Diga também o que nunca pede, por exemplo pagamentos por transferência para um IBAN que não seja o da empresa ou códigos recebidos por SMS. A Gato Preto, por exemplo, publicou o alerta no site, no Facebook e no Instagram e contactou as plataformas. Se um cliente transferir dinheiro para uma conta falsa, o artigo sobre IBAN falso explica o que fazer nas primeiras horas.

3. Procure os seus clones

Uma vez por semana, até ao Natal:

  • pesquise no Google o nome da marca com "black friday", "promoção" e "2026";
  • procure o nome da marca na Biblioteca de Anúncios da Meta, que mostra os anúncios ativos no Facebook e no Instagram;
  • peça aos clientes e à equipa que lhe enviem qualquer anúncio ou mensagem suspeita.

4. Proteja o domínio do seu email

Muitas burlas chegam por email, a fingir que vêm da loja ou da transportadora. Se o seu domínio não tiver SPF, DKIM e DMARC bem configurados, é mais fácil fazerem-se passar por si. O DMARC precisa de algumas semanas de relatórios, por isso convém tratar já do assunto. Veja como em Os seus emails vão para o spam?

5. Se encontrar uma cópia, denuncie e avise

  • Nas redes sociais: a Meta tem um formulário de denúncia de infração de marca comercial e uma ferramenta de proteção dos direitos da marca, para encontrar e denunciar contas, anúncios e contrafações. Ter a marca registada, por exemplo no INPI, facilita estes pedidos.
  • No Google: denuncie o site falso em Google Safe Browsing, para que o Chrome e outros navegadores possam avisar quem lá chegar.
  • Às autoridades: apresente queixa (PSP, GNR ou Polícia Judiciária) e guarde capturas de ecrã, endereços e datas.
  • Aos clientes: publique o aviso nos seus canais. Os clientes também consultam ferramentas como o "Este site é seguro?" da DECO PROteste.

6. Reforce a segurança do seu site

Um site verdadeiro com uma falha pode ser alterado para roubar dados de pagamento, o que é ainda pior do que um clone. Antes do pico de tráfego, atualize a plataforma e os plugins, reveja quem tem acesso à administração e confirme que as cópias de segurança funcionam. Para o resto da preparação (preços de referência, pagamentos, stocks e envios), veja o guia Black Friday e Natal 2026: como preparar a loja online.

Em resumo

Antes da última Black Friday, 1 em cada 11 domínios novos ligados à campanha era malicioso, e as cópias de lojas reais, com logótipos e fotografias verdadeiros, são uma das técnicas mais usadas. Até 27 de novembro, a defesa de uma loja online passa por quatro coisas: mostrar quem é, dizer qual é o endereço oficial, procurar os seus clones e proteger o email da marca.

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