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NVIDIA DGX Spark: o que é, quanto custa e se vale a pena para a sua empresa

O DGX Spark da NVIDIA corre IA e agentes localmente, com 128 GB de memória. Especificações, preços em Portugal, limites e para que empresas faz sentido.

A NVIDIA está a vender o DGX Spark como um "computador de agentes para a secretária": uma caixa de 15 por 15 centímetros, com 1,2 kg, que corre modelos de inteligência artificial e agentes localmente, sem enviar os dados para a nuvem. No início de outubro de 2026, a marca anunciou uma versão mais barata, com 64 GB de memória, e o preço da versão de 128 GB subiu outra vez. Este artigo explica o que é, o que consegue fazer, quanto custa hoje e para que empresas faz sentido.

O que é o DGX Spark

O DGX Spark é um mini computador construído à volta do GB10 Grace Blackwell, um chip que junta no mesmo pacote um processador Arm de 20 núcleos e uma GPU Blackwell. A grande diferença em relação a um PC normal é a memória: CPU e GPU partilham a mesma memória unificada, de 128 GB (ou 64 GB na nova versão). Numa placa gráfica de jogos, o modelo de IA tem de caber nos 16 ou 24 GB da própria placa. Aqui, cabem modelos muito maiores.

Segundo a página oficial da NVIDIA, o DGX Spark foi pensado para programadores, investigadores, cientistas de dados e estudantes que precisam de capacidade de IA sempre ligada, sem depender da nuvem ou de um centro de dados para cada tarefa.

Especificações principais

ComponenteDGX Spark
ChipNVIDIA GB10 Grace Blackwell
CPU20 núcleos Arm (10 Cortex-X925 + 10 Cortex-A725)
Desempenho em IAAté 1 petaFLOP em FP4 (valor teórico, com sparsity)
Memória128 GB LPDDR5x unificada, ou 64 GB (só através de parceiros)
Largura de banda da memória273 GB/s
ArmazenamentoAté 4 TB NVMe, com encriptação própria
RedeConnectX-7 a 200 Gbps, 10 GbE, Wi-Fi 7 e Bluetooth 5.4
ConsumoFonte de 240 W (140 W de TDP do chip)
Sistema operativoDGX OS, baseado em Ubuntu Linux
Dimensões e peso150 × 150 × 50,5 mm, 1,2 kg

Com 128 GB, a NVIDIA indica inferência com modelos até 200 mil milhões de parâmetros e afinação (fine-tuning) de modelos até 70 mil milhões. A versão de 64 GB fica pelos 100 mil milhões. Através da rede ConnectX-7, é possível juntar várias unidades: duas de 128 GB chegam aos 400 mil milhões de parâmetros e quatro aos 700 mil milhões. Duas ou três unidades ligam-se com um cabo QSFP direto. Para quatro é preciso um switch de 200 GbE.

O software: agentes, privacidade e ferramentas de programação

O DGX Spark vem com o DGX OS e com a pilha de software de IA da NVIDIA. Entre as ferramentas referidas pela marca estão:

  • NIM, microsserviços para testar modelos já otimizados;
  • Nemotron, a família de modelos abertos da NVIDIA;
  • NemoClaw, um conjunto de modelos de referência (blueprints) para criar agentes autónomos que funcionam sem parar;
  • OpenShell, um ambiente isolado que controla o que os agentes podem executar;
  • NVIDIA Local AI, a plataforma para correr IA localmente, "sem que os dados saiam da máquina", nas palavras da NVIDIA;
  • NVIDIA Sync, que permite gerir o DGX Spark a partir do portátil e abrir remotamente o Cursor, o VS Code ou o AI Workbench.

Segundo o blogue da NVIDIA de 2 de outubro, também funcionam de origem ferramentas conhecidas como o Ollama, o vLLM, o llama.cpp, o LM Studio e o PyTorch com CUDA. A nova função Sync Cluster Assistant deteta duas unidades ligadas por cabo e configura a rede entre elas automaticamente.

Quanto custa

O preço é o ponto mais sensível. O DGX Spark de 128 GB foi lançado nos EUA a 3.999 dólares em outubro de 2025. Em fevereiro de 2026, a NVIDIA subiu-o para 4.699 dólares, justificando a subida com a escassez de memória. A 2 de outubro, segundo o The Register, passou para 6.950 dólares, quase 75% acima do preço de lançamento.

A nova versão de 64 GB está à venda desde 23 de outubro, só através da Acer, ASUS, Dell, Gigabyte, HP e MSI, a partir de 4.999 dólares, segundo a NVIDIA. Mantém o mesmo chip, a mesma largura de banda de 273 GB/s e o mesmo software.

Em Portugal, a 27 de outubro de 2026, encontrámos a Founders Edition de 128 GB e 4 TB a partir de 5.890 euros com IVA na PCSpecialist e a 7.687,50 euros com IVA na Senetic. Os preços estão a mudar depressa, por isso convém confirmar antes de comprar.

Para que serve numa empresa

O DGX Spark faz mais sentido quando a IA tem de trabalhar com dados que não devem sair da empresa:

  • Assistentes internos que respondem com base em contratos, processos, manuais ou fichas de clientes, sem enviar esses documentos para um serviço externo.
  • Agentes sempre ligados que tratam emails, classificam pedidos ou preparam relatórios durante a noite.
  • Desenvolvimento de software com modelos de programação locais, sem enviar o código dos clientes para terceiros.
  • Afinação de modelos com dados próprios, para tarefas muito específicas do setor.
  • Protótipos que depois passam para a nuvem ou para um centro de dados com a mesma pilha de software.

Para quem trata dados pessoais, manter o processamento dentro de casa simplifica muito a conversa sobre o RGPD: não há transferência para fornecedores fora da UE nem dados a ser usados para treinar modelos de terceiros. Não dispensa, ainda assim, as regras internas, os registos e a segurança do próprio equipamento. Já explicámos como fazer isso no artigo sobre as regras para usar IA na empresa e no que mostra o que o regulamento europeu da IA já exige a uma PME.

Os limites que convém conhecer

A velocidade depende da memória. Os 273 GB/s são muito menos do que a largura de banda de uma GPU topo de gama. Na prática, o DGX Spark consegue carregar modelos grandes, mas gera texto mais devagar quando o modelo é "denso". Nos testes da própria NVIDIA, o GPT-OSS-120B gera cerca de 55 tokens por segundo e o GPT-OSS-20B cerca de 83. Já os testes compilados pela GPUwerk mostram que um modelo denso de 70 mil milhões de parâmetros fica pelos 6 tokens por segundo, lento para uma conversa. Os modelos do tipo mixture of experts, que só ativam uma parte dos parâmetros em cada palavra, são os que melhor aproveitam a máquina.

O preço subiu muito. A versão de 64 GB custa hoje mais do que a de 128 GB custava no lançamento. A análise da Tom's Hardware considera-o um conjunto de ferramentas completo para IA local, mais rápido do que a alternativa da AMD com o Ryzen AI Max+ 395, mas caro para quem não aproveitar todas as funcionalidades.

É Linux e é Arm. O DGX OS é baseado em Ubuntu e o processador é Arm. Não é um PC Windows para o escritório. Para isso, a NVIDIA tem o RTX Spark, segundo o anúncio da GTC Berlim.

Quem deve comprar

Faz sentido para equipas de desenvolvimento, agências e empresas que já sabem que querem correr IA localmente, que têm dados sensíveis e que usam modelos todos os dias. Para uma PME que só quer experimentar, normalmente compensa começar com um serviço na nuvem com contrato empresarial e perceber primeiro que tarefas a IA resolve. O artigo quanto custa um agente de IA ajuda a fazer as contas.

Quem compra também deve escolher bem entre as versões. Duas unidades de 64 GB ligadas somam 128 GB e, segundo a NVIDIA, dão até 1,7 vezes o desempenho de uma só. Custam, no entanto, cerca de 10.000 dólares, contra 6.950 dólares por uma de 128 GB.

Como a MarcaWeb pode ajudar

A MarcaWeb cria agentes de IA para empresas, a correr na nuvem ou em equipamento próprio. Podemos ajudar a perceber se um computador como o DGX Spark compensa no seu caso, escolher os modelos, ligá-lo aos seus sistemas e ao seu site e definir as regras de acesso aos dados. Se quer começar por saber como está o seu site, faça a auditoria gratuita. Para falar connosco, escreva para info@marcaweb.pt ou ligue para o +351 920 260 897.

Fontes: NVIDIA, DGX Spark, NVIDIA, DGX Spark 64 GB (02-10-2026), NVIDIA, GTC Berlim (21-10-2026), NVIDIA Developer Forums, alteração de preço (25-02-2026), The Register (02-10-2026), NVIDIA Technical Blog, GPUwerk, Tom's Hardware, PCSpecialist e Senetic. Consultadas a 27-10-2026.

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