Claude Mythos: a IA da Anthropic que encontra falhas de segurança e o que isso muda para o site da sua empresa
O Claude Mythos encontra falhas de software ao nível de um especialista. O que é, quem lhe pode aceder e o que muda na segurança do site da sua empresa.

A Anthropic, a empresa norte-americana que desenvolve o assistente Claude, tem uma família de modelos de inteligência artificial (IA) que não vende a qualquer pessoa. Chama-se Claude Mythos e é descrita pela própria empresa como a sua classe de modelos mais capaz para cibersegurança e investigação em biologia. A versão atual, o Claude Mythos 5.1, foi lançada a 1 de setembro de 2026 e continua reservada a um grupo restrito de organizações verificadas.
A razão é simples: um modelo que encontra falhas de segurança com a facilidade de um especialista tanto serve para as corrigir como para as explorar. A 6 de outubro, a Anthropic alargou o acesso a equipas de segurança através de um programa de verificação. Explicamos o que é o Mythos, como chegou até aqui e o que isto significa para o site e para os sistemas de uma PME portuguesa.
O que é o Claude Mythos
O Mythos não é um produto à parte, mas sim uma versão com menos travões. Segundo o anúncio da Anthropic, o Claude Fable 5.1 e o Claude Mythos 5.1 são o mesmo modelo, com níveis de proteção diferentes. O Fable 5.1 está disponível para todos, incluindo na Amazon Web Services, na Google Cloud e no Microsoft Azure. O Mythos 5.1 só chega a quem passa pelos programas de acesso de confiança, porque as suas proteções foram pensadas para deixar trabalhar quem faz cibersegurança e investigação em ciências da vida.
Na prática, o Fable 5.1 tem regras que o impedem de fazer certas tarefas. Pode ser usado para identificar vulnerabilidades no código-fonte, mas bloqueia testes de intrusão, a criação de exploits (o código que tira partido de uma falha) e a procura de vulnerabilidades em programas já compilados. As perguntas de investigação em biologia e química com duplo uso são encaminhadas para os modelos Opus. A Anthropic diz que as novas proteções de biologia intervêm em pedidos legítimos 85% menos vezes do que as que acompanharam o lançamento do Fable 5, e que os utilizadores do Claude Code devem ver, em média, cerca de 60% menos interrupções por sessão por causa das proteções de cibersegurança.
Segundo a documentação técnica, o Mythos 5.1 custa a partir de 10 dólares por milhão de tokens de entrada e 50 dólares por milhão de tokens de saída, os mesmos valores do Fable 5.1. Aceita até um milhão de tokens de contexto. Quem o usa tem de aceitar, por defeito, que os dados fiquem guardados durante 30 dias para monitorização de segurança.
Seis meses atribulados
O percurso do Mythos mostra bem quanto peso político ganhou a IA aplicada à segurança:
- Abril: a Anthropic lança o Project Glasswing com cerca de 50 parceiros, entre os quais a Apple, a Microsoft, a Nvidia, a CrowdStrike e a Palo Alto Networks, segundo a CNBC. Usam o Claude Mythos Preview para analisar o seu próprio código.
- 2 de junho: o programa é alargado a cerca de 150 novas organizações em mais de 15 países, em setores como a energia, a água, a saúde e as comunicações. Nessa altura, a Anthropic dizia que os parceiros tinham encontrado mais de 10 mil falhas de gravidade alta ou crítica.
- 9 de junho: chega o Claude Mythos 5, só para um pequeno grupo de parceiros verificados.
- 12 de junho: o governo dos Estados Unidos emite uma ordem de controlo de exportação que proíbe o acesso de cidadãos estrangeiros ao Fable 5 e ao Mythos 5. Sem forma de verificar a nacionalidade em tempo real, a Anthropic desliga os dois modelos para todos os clientes, como noticiou a Reuters.
- 30 de junho e 1 de julho: os controlos são levantados. O Fable 5 volta a todos os utilizadores, e o Mythos 5 regressa para um conjunto de organizações norte-americanas aprovadas pelo governo.
- 1 de setembro: saem o Fable 5.1 e o Mythos 5.1.
- 6 de outubro: o Cyber Verification Program passa a dar acesso ao Opus 5.5, ao Sonnet 5.5 e ao Mythos 5.1.
Quem pode usar o Mythos
Há dois caminhos. Os investigadores de biologia candidatam-se ao Life Sciences Verification Program. As equipas de segurança candidatam-se ao Cyber Verification Program, que agora tem três níveis:
- Defense Access: para trabalho defensivo, como resposta a incidentes, análise de malware e validação de vulnerabilidades. Abrange equipas de segurança de empresas, universidades e organismos públicos que defendem os seus próprios sistemas, empresas de segurança mais pequenas, quem mantém software de código aberto e investigadores individuais com historial de falhas reportadas. A Anthropic diz que espera responder em poucos dias.
- Red Team Access: acrescenta testes de intrusão autorizados. É só para organizações, e a análise demora algumas semanas.
- Specialized Access: o nível com menos bloqueios, para quem testa sistemas críticos, como redes elétricas, telecomunicações ou transferências interbancárias. Cada candidatura é analisada em conjunto com o governo dos EUA.
Segundo o centro de ajuda da Anthropic, a candidatura é feita uma vez por organização, e a decisão costuma chegar em até sete dias úteis.
O que isto significa para uma PME
Uma pequena empresa portuguesa dificilmente vai usar o Mythos diretamente. Mas vai sentir os efeitos, por três razões.
As falhas vão ser encontradas mais depressa, por todos. Se um modelo consegue analisar uma base de código inteira e encontrar milhares de falhas graves, os plugins, temas e bibliotecas que o seu site usa vão receber mais correções e mais avisos de segurança. É uma boa notícia, mas só para quem atualiza. Um site que fica meses sem atualizações passa a ser o alvo mais fácil, porque as falhas que corrigem os outros ficam publicadas para quem as quiser explorar. Vimos isso em outubro com a falha PHP2Shell e com as falhas do Next.js, React e Node.js.
A procura de vulnerabilidades com IA já está ao seu alcance. O Fable 5.1, disponível para qualquer cliente, pode procurar vulnerabilidades no código-fonte que é seu, e os modelos gerais continuam a servir para rever código e corrigir problemas conhecidos. O Claude Security, o produto de análise de código da Anthropic, já corre sobre o Mythos 5.1 e não exige o programa de verificação. Por agora está em versão beta pública e só para clientes do plano Claude Enterprise. Para quem desenvolve à medida, isto quer dizer revisões de segurança mais baratas e frequentes.
Os atacantes também vão ter ferramentas melhores. As proteções da Anthropic travam a criação de exploits, mas nem todos os modelos do mercado têm os mesmos limites. O episódio de junho mostrou que até os governos tratam estas capacidades como matéria de segurança nacional. Para uma empresa, a conclusão prática é que o tempo entre a publicação de uma falha e o primeiro ataque tende a encurtar.
Quatro passos para não ficar para trás
- Atualize com rotina. O sistema de gestão do site, os plugins, o PHP e as dependências devem ter um calendário de atualizações, e não só quando algo corre mal. Explicamos como atualizar o PHP sem partir o site.
- Peça uma revisão de segurança ao código à medida. Se o seu site ou a sua aplicação foram feitos de raiz, uma análise com ferramentas de IA, revista por uma pessoa, já é acessível e encontra problemas que os testes habituais não apanham.
- Tenha cópias de segurança que funcionam. Confirme que consegue repor o site a partir de uma cópia antes de precisar.
- Saiba o que fazer se correr mal. Um plano curto para as primeiras horas depois de um ataque poupa dias de trabalho e dinheiro.
Comece por saber onde está
A IA está a tornar a procura de falhas mais rápida, para quem defende e para quem ataca. O primeiro passo é saber o que o seu site mostra hoje a quem o analisa. A auditoria gratuita da MarcaWeb verifica a segurança do seu site e indica o que corrigir primeiro. Se quiser uma revisão mais profunda ao código ou um plano de atualizações, fale connosco.


