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Actualizar o PHP sem partir o site

O PHP 8.2 deixa de ter correcções a 31 de Dezembro. Em que versão está o seu site, porque é que a mudança pode partir algo e como actualizar o PHP sem sustos.

A falha PHP2Shell deixou uma lição incómoda para muitas empresas: quem tinha o site no PHP 8.1 ou anterior não recebeu correcção oficial. E o calendário não pára. O PHP 8.2 deixa de ter correcções de segurança a 31 de Dezembro de 2026, daqui a dois meses.

A razão por que tantos sites ficam em versões antigas é quase sempre a mesma: medo de que o site deixe de funcionar. É um medo justificado, mas tem solução. Este é o guia para mudar de versão sem sustos.

Em que ponto está cada versão

Cada versão do PHP tem dois anos de suporte activo e mais dois só com correcções de segurança. Depois disso, deixa de receber correcções, mesmo para falhas graves. O calendário oficial, segundo o php.net:

VersãoCorrecções de segurança atéSituação
8.531-12-2029Suporte completo
8.431-12-2028Suporte completo até ao fim de 2026
8.331-12-2027Só segurança
8.231-12-2026Só segurança, a terminar
8.131-12-2025Sem suporte
8.026-11-2023Sem suporte
7.428-11-2022Sem suporte

O próprio WordPress recomenda o PHP 8.3 ou posterior. Hoje, a escolha sensata para um site que vai mudar é o 8.4: tem correcções garantidas até ao fim de 2028 e já está estabilizado. O 8.5 também é uma boa opção quando o tema e os plugins já o suportam.

Primeiro, saber de onde parte

  • WordPress: Ferramentas → Saúde do site → Informação → Servidor mostra a versão exacta. A própria Saúde do site avisa quando a versão está desactualizada.
  • cPanel ou Plesk: o painel mostra o ramo escolhido (por exemplo, 8.1) e, em regra, permite mudar por domínio.
  • Site feito à medida ou servidor próprio: quem fez o site deve saber dizer a versão e se o código foi testado em versões recentes. Se ninguém sabe, isso já é informação útil.

Porque é que a mudança pode partir o site

Cada versão nova do PHP retira funções antigas e torna-se mais rigorosa com código descuidado. O núcleo do WordPress acompanha estas mudanças, mas um site é mais do que o núcleo: um tema comprado há anos, um plugin abandonado pelo autor ou um bocado de código feito à medida podem usar funções que já não existem. O resultado vai de avisos no ecrã a uma página em branco, ou a um erro que só aparece no checkout de uma loja.

Quanto mais antiga a versão de partida, maior o salto. Passar do 7.4 para o 8.4 é muito diferente de passar do 8.2 para o 8.3.

Como mudar sem sustos

  1. Faça uma cópia de segurança completa, ficheiros e base de dados, guardada fora do servidor. Confirme que a sabe repor. Explicámos como em Cópias de segurança: como saber se o site volta.
  2. Actualize primeiro tudo o resto: WordPress, tema e plugins, ainda na versão antiga do PHP. Versões recentes dos plugins são as que suportam o PHP novo.
  3. Faça uma lista do que não tem actualizações há muito tempo. Um plugin sem actualizações há anos é o suspeito mais provável e, muitas vezes, pode ser substituído ou removido.
  4. Teste numa cópia do site (um ambiente de testes, ou staging), com a versão nova do PHP. Muitos alojamentos criam esta cópia com um clique.
  5. Percorra o que dá dinheiro: formulários de contacto, pesquisa, carrinho, pagamento, área de cliente, envio de emails. Não basta a página inicial abrir.
  6. Veja os registos de erros da cópia de testes. Avisos de funções obsoletas indicam o que vai partir na versão seguinte.
  7. Mude o site real num horário calmo e volte a testar o mesmo percurso. Se algo correr mal, voltar à versão anterior no painel demora segundos, desde que não tenha apagado nada.

Quando a mudança não é possível

Às vezes, o site depende de código que não funciona em versões recentes e não tem quem o corrija. Nesse caso, há três saídas, por ordem de preferência: corrigir ou substituir a peça que impede a mudança; refazer o site, quando o custo de remendar já é maior do que o de construir de novo; ou, como último recurso temporário, um fornecedor que ofereça suporte prolongado para versões antigas. Deixar ficar como está não é uma opção: a próxima falha grave vai encontrar o site sem correcção.

O que pedir ao alojamento

  • Que versões do PHP disponibiliza e quando retira as antigas.
  • Se aplica as correcções de segurança dentro de cada versão (por exemplo, do 8.4.26 para o 8.4.27) automaticamente e em quanto tempo.
  • Se tem ambiente de testes e cópias de segurança automáticas, e por quanto tempo as guarda.

Se as respostas forem vagas, é um bom sinal de que está na altura de mudar de alojamento, ou de entregar o servidor a quem o mantenha.

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Fontes: php.net, versões suportadas e versões sem suporte; WordPress, requisitos (consultados a 23-10-2026).

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