ChatGPT já faz 20% das pesquisas do Google, diz a OpenAI: o que muda para o seu site
A OpenAI diz que o ChatGPT já tem um quinto das pesquisas do Google. O que o número mede, o que falta saber e o que fazer no seu site.

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A OpenAI afirma que o ChatGPT já recebe cerca de um quinto do volume de pesquisas do Google. O número foi dado por Adam Fry, responsável de produto do ChatGPT para consumidores, num jantar com jornalistas em Nova Iorque, na segunda-feira, 2 de novembro de 2026, e foi noticiado no dia seguinte pelo The Verge, pela Search Engine Journal e pelo 9to5Google.
Parece uma mudança enorme, e para muitas empresas portuguesas a pergunta imediata é se devem deixar de investir no Google. A resposta curta é não. O número da OpenAI mede uma coisa muito específica, não foi confirmado por fontes independentes e os dados de tráfego real para os sites contam uma história bem diferente. Explicamos o que se sabe, o que não se sabe e o que vale a pena fazer no seu site.
O que a OpenAI disse, exatamente
Segundo a transcrição publicada pelo Big Technology e citada pela Search Engine Journal, Adam Fry explicou como a empresa conta uma pesquisa: «Cada vez que faz uma pergunta e [o ChatGPT] vai pesquisar na web, isso é uma pesquisa.» Ou seja, a OpenAI conta como pesquisa cada pergunta que leva o ChatGPT a consultar a internet, e não cada conversa.
Fry acrescentou que, no início, as pessoas usavam o ChatGPT sobretudo para escrever e programar, tarefas que nunca teriam levado a um motor de pesquisa. No último ano, segundo ele, passaram a fazer perguntas sobre pessoas, locais e produtos que exigem informação atualizada, além de questões de finanças e saúde, em que o ChatGPT vai à web buscar resposta.
Na mesma ocasião, a OpenAI indicou que o ChatGPT passou de mil milhões para 1,2 mil milhões de utilizadores semanais em cerca de dois meses, de acordo com a Search Engine Land.
O que ficou por esclarecer
As publicações especializadas que cobriram a declaração apontam várias lacunas, e é importante tê-las presentes antes de tirar conclusões:
- Não se sabe que número do Google foi usado. Fry não disse qual o valor de referência do Google, nem a que período ou a que países se refere a comparação.
- A OpenAI não revelou o total. A empresa não divulgou quantas pesquisas o ChatGPT faz, apenas a proporção.
- As duas empresas podem não contar da mesma forma. A Search Engine Land sublinha que o Google e a OpenAI não demonstraram que medem uma «pesquisa» com o mesmo critério.
- Não é quota de mercado. Os 20% comparam volumes de perguntas, não dizem que o Google perdeu 20% das pesquisas.
Há também estimativas externas mais baixas. A Ahrefs estimou em fevereiro que o volume de pesquisa do ChatGPT rondaria 12% do do Google, com um método diferente, e a plataforma SEOClarity aponta para cerca de 7,5%, segundo a Search Engine Land. Por seu lado, o Google não divulga um número atual: na apresentação de resultados do terceiro trimestre, Sundar Pichai disse apenas que o crescimento anual das pesquisas é o mais alto dos últimos cinco anos.
Pesquisas não são visitas ao seu site
Este é o ponto que mais interessa a quem tem um site de empresa. Mesmo que o ChatGPT responda a muitas perguntas, isso não significa que envie muitos visitantes. Os dados de tráfego da Ahrefs, recolhidos em 118 671 sites que usam a sua ferramenta gratuita de análise, mostram que, em outubro, o Google foi responsável por 24,74% do tráfego registado e o ChatGPT por 0,36%, segundo a atualização de 3 de novembro citada pela Search Engine Journal.
Por outras palavras, o ChatGPT pode ser muito consultado, mas a maior parte das respostas fica dentro da conversa e não gera um clique. É a mesma tendência que já descrevemos a propósito do Modo IA do Google e da quebra de tráfego do Reddit: cada vez mais pessoas obtêm a resposta sem visitar a página de onde ela veio.
A própria Search Engine Journal recomenda que, quando se fala da dimensão do ChatGPT num plano de marketing, se separem sempre duas medidas: o volume de perguntas e o tráfego enviado para os sites. São números muito diferentes.
O que isto significa para uma PME em Portugal
Não há dados públicos que separem o uso do ChatGPT para pesquisa em Portugal, por isso não vale a pena inventar percentagens. O que é razoável concluir é que uma parte crescente dos seus potenciais clientes faz perguntas a assistentes de IA antes de decidir, e que a sua empresa pode ser mencionada, ou ignorada, sem que isso apareça nas estatísticas habituais do site.
Ao mesmo tempo, o Google continua a ser, de longe, a principal fonte de visitas para a generalidade dos sites. Abandonar o SEO tradicional por causa deste anúncio seria um erro. O caminho sensato é manter o trabalho no Google e garantir que o site também está preparado para ser lido e citado pelos assistentes de IA.
Cinco passos práticos
- Confirme que o ChatGPT consegue ler o seu site. A OpenAI explica na sua página sobre os seus robôs que o OAI-SearchBot é o robô usado para mostrar sites nas respostas de pesquisa do ChatGPT, e que os sites que o bloqueiam no robots.txt não aparecem nessas respostas. O GPTBot é outro robô, usado para treino dos modelos, e pode ser bloqueado de forma independente. Explicámos as regras mais recentes no artigo sobre a regra comum no robots.txt para o treino de IA.
- Meça o tráfego que já vem do ChatGPT. As perguntas frequentes da OpenAI para editores, citadas por várias plataformas de análise, indicam que o ChatGPT acrescenta o parâmetro
utm_source=chatgpt.comaos links que envia. No Google Analytics 4, essas visitas aparecem com a origem chatgpt.com, e pode criar um grupo de canais próprio para as separar das restantes referências. - Acompanhe o Google com o relatório certo. O Google já mostra no Search Console dados sobre as respostas geradas por IA. Veja como no nosso guia sobre o relatório de IA generativa do Search Console, e confirme se os picos que vê são reais com o artigo sobre picos de cliques no Search Console.
- Escreva páginas que respondem a perguntas concretas. Serviços, preços indicativos (quando os pode publicar), zonas onde trabalha, horários e contactos devem estar escritos em texto claro e atualizado. É esse tipo de informação que os assistentes procuram quando alguém pergunta por um fornecedor. Temos um guia sobre como aparecer nas respostas do ChatGPT e do Modo IA do Google.
- Verifique o que dizem de si. Faça ao ChatGPT as perguntas que um cliente faria sobre o seu setor e a sua zona, e veja se a sua empresa aparece e se os dados estão corretos. Se encontrar contactos errados, corrija-os nas fontes públicas, a começar pelo seu site e pelo Perfil da Empresa no Google.
Um número para acompanhar, não para entrar em pânico
Os 20% anunciados pela OpenAI são uma declaração da própria empresa, sem metodologia publicada nem confirmação independente, e surgem numa altura em que a OpenAI tem todo o interesse em mostrar dimensão. Ainda assim, o crescimento do ChatGPT é real e confirma que a pesquisa já não se faz apenas no Google.
Para a maioria das empresas, a prioridade continua a ser um site rápido, seguro e bem estruturado, que funcione tanto para o Google como para os assistentes de IA. Se quiser saber como está o seu, pode começar pela auditoria gratuita da MarcaWeb, que analisa velocidade, segurança e SEO técnico em poucos minutos.


