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Cliques a disparar na Search Console? Pode não ser tráfego real: como confirmar

Alguns sites viram os cliques multiplicar na Search Console a 31/10 sem tráfego real. O que se sabe e como confirmar os dados do seu site.

Abriu o relatório de desempenho da Search Console e viu os cliques a multiplicar de um dia para o outro? Antes de celebrar, convém confirmar. Entre 31 de outubro e 2 de novembro de 2026, vários especialistas em SEO relataram picos enormes de cliques na Search Console da Google em alguns sites, sem qualquer subida equivalente nas impressões nem no tráfego real. A Google ainda não explicou o que aconteceu, e a 4 de novembro os gráficos de vários desses sites já tinham voltado ao normal.

Resumimos o que se sabe, o que ainda não está confirmado e o que deve fazer para que estes dias não distorçam os relatórios e as decisões da sua empresa.

O que foi relatado

A 3 de novembro, o Search Engine Land publicou um artigo a dar conta de "picos enormes" de cliques nos relatórios de desempenho da Search Console. A própria publicação viu o fenómeno em algumas das suas propriedades e notou um pormenor estranho: em alguns perfis, a API da Search Console mostrava o pico, mas a interface web não. Noutros casos, o pico aparecia também na interface. O jornalista Barry Schwartz admitiu que pudesse ser um erro da ferramenta e pediu esclarecimentos à Google.

No mesmo dia, o Search Engine Roundtable reuniu mais relatos:

  • A consultora Joy Hawkins disse ter visto o pico em três sites, com as impressões estáveis, e afirmou estar "bastante confiante", pelos padrões da taxa de cliques, de que se trata de tráfego de bots.
  • Glenn Gabe, também consultor de SEO, viu o problema só em algumas propriedades e sublinhou que a maioria não o mostrava. Depois de analisar alguns casos, escreveu que parecia tratar-se de agentes de IA ou bots a pesquisar produtos ou serviços, pelo menos nos sites que examinou.
  • Dan Nutter relatou picos a 31 de outubro em sites de vários setores, por vezes com dez vezes o tráfego de um dia normal, sobretudo em clientes do Reino Unido.
  • Um leitor descreveu cinco vezes mais cliques no fim de semana, que "não parecem ter-se traduzido em tráfego real no site", e perguntou se a causa seriam ferramentas de acompanhamento de posições.

A 4 de novembro, Joy Hawkins e Glenn Gabe indicaram que os números estavam a voltar ao normal. Até à publicação deste artigo, a Google não tinha confirmado um erro nem explicado a causa, e a página oficial de anomalias de dados da Search Console não tinha qualquer registo sobre estes dias.

O que está confirmado e o que não está

Está confirmado que vários profissionais, de forma independente, viram subidas fortes de cliques num subconjunto de sites, concentradas à volta do fim de semana de 31 de outubro e 1 de novembro, e que em vários casos os números já recuaram.

Não está confirmado porque aconteceu. Bots, agentes de IA, ferramentas de monitorização de posições ou um erro interno da Google são, por agora, hipóteses de profissionais do setor. Também não há sinal de que se trate de uma atualização do algoritmo: os relatos falam de cliques contados, não de mudanças nas posições.

Não seria a primeira vez que a Search Console mostra dados errados. A própria Google regista na página de anomalias, por exemplo, um erro que afetou a contagem de impressões entre 13 de maio de 2025 e abril de 2026, já corrigido. Esse caso não explica este, mas mostra que um gráfico estranho deve ser verificado antes de ser levado a sério.

Porque é que isto importa para a sua empresa

Muitas empresas usam os cliques da Search Console para medir o SEO, justificar investimento em conteúdos ou comparar meses. Um pico que não corresponde a visitas reais pode fazer parecer que uma página ou campanha está a resultar, inflacionar a taxa de cliques e baralhar a comparação de novembro com outubro.

Há ainda uma questão de fundo. Se a explicação vier a ser a atividade de agentes de IA, que pesquisam no Google em nome de utilizadores, as métricas de pesquisa podem tornar-se menos fiáveis daqui para a frente. Já escrevemos sobre como os agentes de IA navegam nos sites e sobre a forma como o Modo IA está a mudar o tráfego que chega aos sites.

Como confirmar se os seus cliques são reais

Segundo a ajuda da Search Console, um clique é contado quando alguém clica num resultado que leva para uma página fora da Pesquisa Google, e a taxa de cliques é simplesmente os cliques divididos pelas impressões. Com isto em mente, estes passos ajudam a separar o que é real do que não é:

  1. Compare com outra fonte. Veja as visitas com origem na pesquisa orgânica do Google no Google Analytics 4 (ou noutra ferramenta de estatísticas) e, se possível, nos registos do servidor, para os mesmos dias. Os números nunca coincidem exatamente, porque as ferramentas medem coisas diferentes, mas um pico verdadeiro deve aparecer nas duas.
  2. Olhe para as impressões. Se os cliques disparam e as impressões ficam iguais, a taxa de cliques sobe para valores pouco credíveis. Foi esse o padrão descrito por quem foi afetado.
  3. Divida os dados. No relatório de desempenho, filtre por data, página, consulta, país e dispositivo. Concentrações súbitas em páginas mal posicionadas, num só país ou em consultas muito longas e repetitivas são sinais de alerta.
  4. Compare a interface com a API. Se exporta dados para o Looker Studio, o BigQuery ou outra ferramenta através da API, confirme se os números coincidem com os da interface web. Houve casos em que não coincidiam.
  5. Anote os dias afetados. Marque de 31 de outubro a 2 de novembro nos seus relatórios e, se os números não forem confirmados por outra fonte, exclua-os das comparações mensais até a Google esclarecer o que se passou.
  6. Não tome decisões com base nesse pico. Não mude orçamento, conteúdos ou prioridades por causa de uma subida que não se traduziu em visitas, contactos ou vendas.

Se ainda não usa a Search Console com regularidade, este é um bom momento para começar. Explicámos recentemente como ler o relatório de IA generativa da Search Console, que mostra o desempenho do seu site nas Vistas gerais de IA e no Modo IA.

E se o seu site recebeu mesmo tráfego estranho?

Se os registos do servidor mostrarem de facto muitos pedidos invulgares nesses dias, vale a pena perceber de onde vieram e que páginas foram visitadas. Tráfego automático em grande volume pode pesar no servidor, falsear estatísticas e, em alguns casos, ser sinal de tentativas de abuso de formulários ou pesquisas internas. A auditoria gratuita da MarcaWeb dá-lhe um primeiro diagnóstico técnico e de segurança do site em poucos minutos.

Em resumo

Alguns sites viram os cliques na Search Console multiplicar entre 31 de outubro e 2 de novembro de 2026, sem subida nas impressões nem no tráfego real, e vários já voltaram ao normal. A causa não está confirmada e a Google ainda não se pronunciou. Até lá, trate esses dias com cautela: confirme com o Google Analytics e com os registos do servidor, anote as datas nos relatórios e não tire conclusões de um pico que não trouxe visitas, contactos nem vendas.

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