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Relatório de IA generativa na Search Console: como medir se aparece nas AI Overviews e no Modo IA

O relatório de IA generativa da Search Console: o que mostra, o que não mostra, como o ler e como medir também no ChatGPT e no Perplexity com perguntas fixas.

  • SEO
  • 9 min de leitura

Até há pouco tempo, quem queria saber se o seu site aparecia nas AI Overviews (os resumos de IA no topo dos resultados) ou no Modo IA do Google tinha de pesquisar à mão e adivinhar. Os números da Search Console misturavam tudo: um resultado clássico na página um e uma ligação dentro de um resumo de IA contavam da mesma forma. Para uma PME que está a mudar páginas a pensar nas respostas de IA, faltava a pergunta mais simples: está a resultar?

Desde Junho de 2026, a Search Console tem um relatório só para isto. Este artigo explica o que o relatório mostra, o que não mostra, como o abrir e ler sem tirar conclusões erradas, e como completar a medição no ChatGPT e no Perplexity, onde o Google não chega.

O que é o novo relatório

O nome oficial é Generative AI performance report (Search). Na versão portuguesa da ajuda do Google aparece como "Relatório de performance da IA generativa". O Google anunciou-o a 3 de Junho de 2026 no blogue do Search Central, primeiro para um subconjunto de sites, para testar e recolher opiniões. A nota acrescentada ao anúncio e à página de ajuda diz que, desde 31 de Agosto de 2026, o relatório chegou a todos os sites do mundo. Portugal está incluído; não é preciso pedir acesso nem activar nada.

Há dois relatórios irmãos: um para a Pesquisa (o que interessa à maioria das empresas) e outro para as funcionalidades de IA generativa do Discover. Este artigo trata do primeiro.

Um ponto importante: estes dados não são novos, são separados. O Google diz que as impressões nas funcionalidades de IA continuam incluídas no relatório de desempenho geral, como sempre estiveram. O relatório novo apenas isola essa parte, para se ver quanto da visibilidade vem das respostas de IA.

O que mostra

O relatório cobre duas funcionalidades: as AI Overviews e o Modo IA. O Google diz que a lista vai mudar com o tempo. Os dados das experiências do Search Labs ficam de fora.

A métrica é uma só: impressões, ou seja, quantas vezes uma ligação para o seu site foi mostrada a alguém dentro de uma resposta de IA. Essas impressões podem ser agrupadas por quatro dimensões:

  • Páginas. O endereço final para onde a resposta liga, depois de redireccionamentos, atribuído em regra ao URL canónico. É a vista mais útil: diz que páginas o Google usa nas respostas.
  • Países. O país de onde veio a pesquisa. Filtre por Portugal se vende só cá.
  • Datas. Por dia, semana ou mês, sempre na hora do Pacífico (normalmente oito horas atrás de Lisboa).
  • Dispositivos. Computador, tablet ou telemóvel.

No topo há ainda um filtro de tipo de pesquisa: "Web: text-based" para as perguntas escritas na barra do Google, e "Web: multimodal" para as pesquisas feitas com imagens (Google Lens, Circle to Search, imagens carregadas). Uma loja que vende produtos fáceis de fotografar pode ter aqui uma surpresa.

O que não mostra

A página de ajuda do relatório, consultada a 12 de Outubro de 2026, descreve apenas impressões. Não há:

  • Cliques. Não se sabe quantas pessoas clicaram na ligação dentro da resposta de IA.
  • CTR. Sem cliques, não há taxa de cliques.
  • Consultas. Não há separador de pesquisas; vê que páginas apareceram, não para que perguntas.
  • Posição. O relatório não indica em que lugar da resposta a ligação apareceu.

No anúncio, o Google diz que está a trabalhar com os donos de sites para perceber que dados seriam úteis, "como acrescentar outras métricas ao longo do tempo". Até lá, os cliques vindos das AI Overviews e do Modo IA existem, mas estão misturados com os restantes no relatório de desempenho geral: a ajuda do Google diz que clicar numa ligação dentro de uma AI Overview ou do Modo IA conta como clique, e que todas as ligações de uma AI Overview recebem a mesma posição.

Também convém lembrar que uma impressão não é uma citação no sentido que o leitor imagina. Pode ser uma ligação no painel de fontes que ninguém abriu. É um sinal de que a página foi usada, não de que o cliente a leu.

Como abrir o relatório

  1. Entre na Search Console com a propriedade do domínio, não só a do www (é o primeiro ponto da nossa lista de SEO técnico).
  2. Abra os relatórios de desempenho e escolha o de IA generativa para a Pesquisa. O endereço directo é search.google.com/search-console/performance/search-analytics/ai.
  3. Escolha o período. Para começar, os últimos três meses, que apanham a chegada do relatório a todos os sites.
  4. Mude para o separador Páginas e ordene por impressões.
  5. Exporte. O botão de exportação descarrega o gráfico e a tabela. Os valores "~" ou "-" passam a zero no ficheiro.

Se o relatório não aparece, a ajuda dá duas razões. A mais comum é o site ainda não ter impressões suficientes em funcionalidades de IA. A outra é o site ter sido excluído dessas funcionalidades. Desde 31 de Agosto de 2026 há um controlo para isso em Definições, "Search generative AI": a opção por omissão é incluir o site. Se alguém escolheu excluir, o site deixa de aparecer nas AI Overviews, no Modo IA e nas funcionalidades de IA do Discover, e deixa de ter impressões e tráfego vindos delas. Confirme o que lá está antes de concluir que o Google não o mostra.

Como ler os números sem se enganar

  • Gráfico e tabela não somam o mesmo. O gráfico conta por propriedade: se duas páginas suas aparecem na mesma resposta, conta uma impressão. A tabela por páginas conta cada página. A diferença é normal.
  • Os últimos dados são provisórios. Aparecem com linha tracejada e podem mudar nas horas seguintes. Não tire conclusões do dia de hoje.
  • Mil linhas no máximo. O limite habitual da Search Console aplica-se. Para um site de PME raramente é problema.
  • Compare com o relatório geral. Pegue nas páginas com mais impressões em IA e veja, no relatório de desempenho geral, os cliques e as consultas dessas mesmas páginas. Se as impressões em IA sobem e os cliques descem, a página está provavelmente a ser resumida na resposta. É uma leitura indirecta, não uma medição.
  • Veja o calendário do Google antes de tirar conclusões. O painel de estado da Pesquisa Google registou um spam update em Agosto de 2026 (início a 18 de Agosto, cerca de dois dias e meio) e outro em Setembro (início a 24 de Setembro, cerca de duas semanas). Uma subida ou descida nesses dias pode não ter nada a ver com o que mudou no site. Já em Setembro aconselhámos o mesmo a propósito das mudanças na pesquisa europeia: medir primeiro, reescrever depois.

Para não depender da memória, use as anotações da Search Console, lançadas em Novembro de 2025: clique com o botão direito no gráfico de desempenho, escolha "Add annotation" e escreva o que mudou (até 120 caracteres), com a data. Toda a gente com acesso à propriedade vê as notas, por isso não ponha lá dados pessoais.

Uma rotina mensal para uma PME

Não precisa de ferramentas pagas. Meia hora por mês chega:

  1. Exporte as páginas com impressões em IA, filtradas por Portugal, e guarde o ficheiro com a data no nome.
  2. Compare com o mês anterior. Que páginas entraram, quais saíram, quais subiram.
  3. Procure as ausências. As páginas de serviço, de preços ou de produtos principais deviam estar na lista. Se só aparecem artigos antigos do blogue, o Google está a usar o site para dúvidas genéricas e não para as perguntas de quem compra.
  4. Cruze com o relatório geral para essas páginas: consultas, cliques e posição.
  5. Anote cada mudança que fizer no site (página reescrita, dados estruturados novos, preços em texto) para saber o que comparar no mês seguinte.

O que mudar nas páginas está no artigo sobre como aparecer nas respostas do ChatGPT e do Modo IA. Este relatório serve para ver se essas mudanças têm efeito no Google.

E no ChatGPT e no Perplexity?

O relatório só cobre o Google. O ChatGPT, o Perplexity e os outros assistentes não dão ao dono do site uma consola equivalente. A forma mais honesta de medir é simples e manual: perguntas fixas, feitas sempre da mesma maneira, com data.

  1. Escreva dez perguntas que um cliente faria antes de comprar, com as palavras dele: "quem faz manutenção de caldeiras em Setúbal", "quanto custa uma loja online para uma pequena marca de roupa", "melhor clínica dentária em Almada aberta ao sábado". Inclua o nome da cidade quando o negócio é local.
  2. Não mude as perguntas. Se as reescreve todos os meses, deixa de poder comparar.
  3. Faça-as nas mesmas condições. Sessão nova, sem histórico e sem ligação à conta da empresa, sempre a partir de Portugal. As respostas variam de dia para dia e de pessoa para pessoa; manter as condições reduz o ruído.
  4. Registe numa folha de cálculo, por pergunta e por assistente: data, se a empresa é mencionada, se o site aparece nas fontes, que página é citada e que concorrentes aparecem.
  5. Guarde uma captura de ecrã de cada resposta. Daqui a seis meses, é a única prova do ponto de partida.
  6. Repita uma vez por mês, de preferência no mesmo dia.

Com dez perguntas não se faz estatística, e uma resposta isolada não quer dizer nada. O valor está na série: ver, ao longo de vários meses, se a empresa passa a aparecer em mais perguntas, com que páginas, e se a informação que os assistentes dão sobre ela (horário, zona, preço) está certa. Junte a isto as visitas vindas dos assistentes no Google Analytics, como explicámos no artigo anterior, e a pergunta "como nos conheceu?" no formulário de contacto.

Em resumo

O relatório de IA generativa da Search Console mostra, desde 31 de Agosto de 2026 para todos os sites, quantas vezes as suas páginas aparecem como ligação nas AI Overviews e no Modo IA, por página, país, data e dispositivo. Não mostra cliques, CTR, consultas nem posição. Serve para saber que páginas o Google usa nas respostas e se isso muda depois de mexer no site; cruzado com o relatório geral, dá uma ideia do efeito nos cliques. Para o ChatGPT e o Perplexity, a medição continua a ser feita à mão, com perguntas fixas e data.

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Fontes

Blog

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