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Email de phishing: cinco sinais antes de clicar

Cinco sinais de um email falso, o que fazer antes de clicar e a quem avisar em Portugal se a mensagem já foi aberta.

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  • 5 min de leitura

Phishing é um ataque em que alguém se faz passar por uma marca ou por uma pessoa de confiança para obter dados, quase sempre por email. A definição é do Centro Nacional de Cibersegurança, na página de boas práticas actualizada a 1 de Agosto de 2024. O mesmo esquema por SMS chama-se smishing. Por telefone, vishing. Também chega por mensagem numa rede social. O pedido muda. A pressa e o disfarce repetem-se.

Os cinco sinais, em pouco mais de um minuto:

Cinco sinais antes de clicar

Nenhum sinal, sozinho, prova que a mensagem é falsa. Juntos, servem para parar. O CNCS pede duas coisas que cabem nestes cinco pontos: confirmar o endereço, o perfil ou o número de origem, e não seguir uma ordem urgente sem a verificar noutra fonte.

Sinal O que aparece O que fazer
Remetente O nome é o do banco, do fornecedor ou do chefe. O endereço não é. Ler o endereço completo, não o nome que está por cima.
Urgência Ameaça de bloqueio, prémio, ou uma ordem para pagar já. Parar. Confirmar por telefone, num número que já se tinha.
Ligação O texto diz o nome do serviço. O domínio é outro. Não carregar. Abrir o site escrevendo o endereço conhecido.
Anexo Factura, currículo ou aviso que ninguém pediu. Não abrir. O mesmo vale para um ficheiro num SMS.
Segredo Pedem a palavra-passe ou o código que chegou ao telemóvel. Não responder. Um serviço a sério não pede isso por email.

Um erro de português é um aviso, não uma prova. O CNCS diz para desconfiar de erros formais e, ao mesmo tempo, para não confiar numa mensagem só porque está bem escrita.

O que o CERT.PT já mediu

Estes números são de relatórios do CNCS, não um retrato de Outubro de 2026. Na página actualizada a 1 de Agosto de 2024, o phishing e o smishing eram os tipos de incidente mais registados pelo CERT.PT: 31 % em 2019 e 43 % em 2020, com uma subida de 160 % nesse ano, segundo o relatório Riscos e Conflitos 2021. O boletim n.º 4/2021 descreve 2021 ainda a subir, com mais volume nos confinamentos.

No segundo trimestre de 2020, uma análise do boletim n.º 3/2020 aos casos registados pelo CERT.PT contou o argumento usado. Em 90 % dos casos o emissor fingia autoridade, por exemplo um banco. 79 % incentivavam a entrada numa conta. 12 % pediam dados de um produto ou serviço. 7 % prometiam um ganho. 3 % pediam o preenchimento de um documento. A soma passa de 100 % porque uma mensagem pode usar mais do que um argumento. Serve para ler o hábito, não para dizer que a proporção de 2026 é a mesma.

Chefe, fornecedor e IBAN

Há uma variante em que a mensagem parece do director ou de um fornecedor e pede uma transferência ou uma troca de IBAN. O CNCS chama-lhe fraude do CEO, ou business email compromise. A 20 de Maio de 2026, na própria página do CNCS no LinkedIn, o centro descreveu um aumento destes casos e pediu duas coisas a quem já foi alvo: guardar emails e registos sem os alterar, e avisar o CERT.PT em cert@cert.pt e a Polícia Judiciária em unc3t@pj.pt.

O dinheiro que já saiu tem outro caminho, o do banco nas primeiras horas. Está no artigo sobre o IBAN falso. Confirmar um IBAN novo por telefone, num número já conhecido, continua a ser a verificação que a mensagem não substitui.

Se a mensagem já foi aberta

  • Não se enviam mais dados, nem o código do telemóvel, nem uma segunda palavra-passe.
  • Se a palavra-passe foi escrita, muda-se a partir de um equipamento em que se confia, e não a partir da ligação que veio no email. Onde existir, activa-se um segundo factor. As chaves de acesso tiram valor a uma palavra-passe roubada, quando o serviço as aceita.
  • Avisa-se quem trata da informática na empresa. Uma conta de email da firma serve para atacar colegas e clientes a seguir.
  • O CERT.PT recebe a notificação em cert@cert.pt, ou pelo telefone 210 497 399 nos dias úteis, das 9h às 18h, e pelo 910 599 284 fora desse horário. São os contactos do RFC 2350 do CERT.PT, versão 1.10, de 7 de Abril de 2025. O CNCS coordena e recomenda. Não faz a limpeza no lugar da empresa.
  • Se saiu dinheiro, liga-se ao banco. Se o site da empresa passou a mostrar páginas estranhas, isso já é outro incidente: o do site, tratado à parte.

O que a empresa pode fechar antes

O filtro de spam ajuda e não chega. O CNCS, na recomendação técnica de 2019, pede SPF, DKIM e DMARC para o domínio não ser fácil de imitar. O que o Gmail e o Outlook exigem desde 2024 e 2025 está no artigo sobre emails que caem no spam. São medidas do domínio. Não lêem o email no lugar da pessoa.

O segundo factor nas contas de correio e no painel do site corta o passo seguinte, quando a palavra-passe já foi dada. O CNCS recomenda simulações internas de phishing, para treinar a atenção. Isso é um exercício da própria organização, com conhecimento da direcção. Não é um email falso enviado a clientes.

Um site ou uma loja que já foi usado para alojar uma página falsa precisa de auditoria, limpeza e cópias. A cibersegurança para sites é esse trabalho. O email falso é a porta. O site desactualizado é outra.

Fontes

  • CNCS, boas práticas contra phishing, smishing e vishing, actualizado a 1 de Agosto de 2024. cncs.gov.pt
  • CNCS, Riscos e Conflitos 2021, e boletins do observatório n.º 3/2020 e n.º 4/2021, citados nessa página.
  • CNCS, 20 de Maio de 2026: cert@cert.pt e unc3t@pj.pt para fraude do CEO. Guia de CEO fraud, publicação do CNCS
  • CERT.PT, contactos e RFC 2350, versão 1.10 de 7 de Abril de 2025. cncs.gov.pt/certpt, RFC 2350
  • CNCS, recomendação técnica 01/2019, SPF, DKIM e DMARC. cncs.gov.pt

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