Velocidade do site em 2026: o que o Google mede e porque o telemóvel chumba
As Core Web Vitals em 2026: os limites de LCP, INP e CLS, o que o Google diz sobre o ranking, os dados de 2025 em que menos de metade dos sites passa no telemóvel e o que corrigir primeiro.

Em 2021 escrevemos sobre as Core Web Vitals, as três medidas com que o Google avalia a experiência de uma página. Cinco anos depois, uma delas foi substituída, o Google passou a dizer de forma mais directa que estas medidas se alinham com o que os seus sistemas de classificação recompensam, e os dados de 2025 mostram que menos de metade dos sites passa no telemóvel. Este artigo actualiza o que mudou, o que o Google mede hoje, o que os números dizem e o que vale a pena corrigir primeiro num site de empresa.
As três medidas e os limites
As Core Web Vitals continuam a ser três, com um valor-alvo cada:
- LCP (Largest Contentful Paint), o carregamento: quanto tempo demora a aparecer o maior elemento visível, em regra a imagem ou o título do topo. Bom é até 2,5 segundos.
- INP (Interaction to Next Paint), a resposta: quanto tempo passa entre um toque ou clique e a página reagir. Bom é até 200 milissegundos.
- CLS (Cumulative Layout Shift), a estabilidade: quanto é que o conteúdo salta enquanto carrega (o botão que foge no momento em que se vai tocar). Bom é até 0,1.
A mudança desde o nosso artigo de 2021 é o INP. Até 2024 a medida de resposta era o FID (First Input Delay), que só olhava para a primeira interacção. O INP, que o tornou estável em 2024, olha para todas as interacções da visita e fica com uma das piores. Um site que carregava bem e depois ficava preso quando se abria o menu passava no FID e chumba no INP.
Duas regras contam tanto como os limites. Primeiro, o Google mede nas visitas reais, com dados dos utilizadores do Chrome, não num teste de laboratório: um site pode ter uma pontuação alta no PageSpeed e chumbar nas visitas, ou o contrário. Segundo, a página passa quando 75 % das visitas ficam dentro dos três limites, e telemóvel e computador são avaliados em separado. Como a maioria das visitas a sites de empresas em Portugal é feita no telemóvel, é esse o número que interessa.
O que o Google diz sobre o ranking
Na documentação para webmasters, actualizada em Dezembro de 2025, o Google escreve que "recomenda vivamente" boas Core Web Vitals para ter sucesso na pesquisa e que a experiência da página "se alinha com o que os nossos sistemas de classificação centrais procuram recompensar". Não é o factor principal: um conteúdo relevante continua a pesar mais. Mas entre duas páginas com conteúdo semelhante, a mais rápida fica à frente, e um site lento perde visitas antes de o Google sequer entrar nas contas: as pessoas saem.
Os números de 2025: o telemóvel chumba
O Web Almanac do HTTP Archive, a análise anual de milhões de sites com dados do Chrome de Julho de 2025, dá o retrato:
| Medida | Sites com "bom" no telemóvel | No computador |
|---|---|---|
| As três ao mesmo tempo | 48 % | 56 % |
| LCP (carregamento) | 62 % | 74 % |
| INP (resposta) | 77 % | 97 % |
| CLS (estabilidade) | 81 % | 72 % |
Três coisas a reter. O carregamento (LCP) é a medida que mais sites chumba. A resposta (INP) é quase garantida no computador e falha num em cada quatro sites no telemóvel: o processador é mais fraco e o JavaScript de terceiros pesa. E a imagem é o elemento maior em 76 % das páginas no telemóvel, por isso é ela que decide o LCP na maioria dos sites; 62 % das páginas móveis ainda têm pelo menos uma imagem sem dimensões declaradas, que é a causa mais comum dos saltos de layout.
Onde um site de empresa costuma perder
Nos sites de PME que medimos, os problemas repetem-se. Não são exóticos:
- A imagem do topo. Uma fotografia de 3 000 píxeis a servir um ecrã de 400, em JPEG sem compressão, carregada com
loading="lazy"(que atrasa exactamente a imagem que devia vir primeiro) ou vinda de outro domínio, que obriga a uma ligação nova. É a causa número um de LCP mau. - Scripts de terceiros. O chat, o píxel do Facebook, o Google Tag Manager com vinte etiquetas, o widget de avaliações, o mapa, o vídeo incorporado. Cada um corre JavaScript no telemóvel do visitante antes de a página responder ao toque. É a causa número um de INP mau, e a mais fácil de ignorar porque "foi o marketing que pediu".
- Tipos de letra. Três famílias com cinco pesos cada, carregadas de um serviço externo, bloqueiam o texto ou fazem-no saltar quando chegam.
- Imagens, anúncios e banners sem tamanho reservado. O conteúdo desce quando eles aparecem; é o CLS.
- Temas e extensões a mais. Em WordPress, um tema de 40 funcionalidades e 30 extensões activas carregam folhas de estilo e scripts em todas as páginas, mesmo onde não são usados. Falámos dos cuidados com o WordPress no artigo sobre manutenção sem susto.
- Alojamento lento. Se o servidor demora um segundo a responder ao primeiro pedido, o LCP já começou mal antes de a página existir. Um alojamento barato partilhado por centenas de sites paga-se aqui.
Como medir o seu site em cinco minutos
- Search Console, relatório "Core Web Vitals". Mostra, com dados das visitas reais, quantas páginas estão boas, a precisar de melhorias ou más, no telemóvel e no computador. É a fonte que o Google usa; se o site tem poucas visitas, pode não haver dados.
- PageSpeed Insights. Ponha o endereço de uma página. A secção de cima ("O que os utilizadores reais estão a experienciar") são as Core Web Vitals das visitas; a de baixo é o teste de laboratório, útil para diagnosticar, não para passar ou chumbar.
- Meça a página de entrada e a página de produto ou serviço mais visitada, não só a home. É nessas que o tempo e o dinheiro se perdem.
O que corrigir primeiro
- A imagem do topo de cada modelo de página: tamanho certo, formato moderno (WebP ou AVIF), carregada com prioridade e do mesmo domínio.
- Inventário dos scripts de terceiros, com uma pergunta para cada um: que decisão tomámos no último ano com os dados que ele recolhe? Os que não têm resposta saem. Os que ficam carregam depois da página estar pronta.
- Dimensões em todas as imagens e espaço reservado para banners e vídeos.
- Dois pesos de um tipo de letra, servidos do próprio site.
- Cache no servidor e um alojamento que responda em menos de 200 milissegundos ao primeiro pedido.
- Em WordPress, limpar extensões e, se o tema for o problema, trocá-lo: é mais barato do que afinar um tema pesado durante meses.
Nos sites que desenvolvemos de raiz, estes pontos entram no caderno de encargos e são verificados antes de o site ir para o ar; a lista completa está na checklist de SEO técnico. Em sites já existentes, uma afinação de desempenho é normalmente um trabalho de dias, não de meses, e nota-se nas visitas no mês seguinte.
Em resumo
As Core Web Vitals são três medidas com limites claros (2,5 segundos, 200 milissegundos, 0,1), avaliadas nas visitas reais e sobretudo no telemóvel, onde menos de metade dos sites passa. O Google diz que recompensa quem as cumpre, e os visitantes recompensam antes. Quer saber como está o seu site, com os números das visitas e a lista do que corrigir? Fale connosco. Respondemos em 48 horas.


