Mudar de site sem perder posições no Google
Como mudar de site, de plataforma ou de domínio sem perder visitas do Google: inventário, redireccionamentos 301, o dia da mudança e o que vigiar depois.

Um site novo devia trazer mais contactos. Às vezes acontece o contrário: o site fica mais bonito e, umas semanas depois, as visitas vindas do Google caem para metade. Quase sempre a causa é a mesma: os endereços antigos deixaram de existir e ninguém disse ao Google para onde foram.
A boa notícia é que uma mudança de site bem preparada mantém as posições, e muitas vezes melhora-as. Este guia mostra o que fazer antes, no dia e depois da mudança, seja um redesenho, uma mudança de plataforma (por exemplo, de WordPress para um site à medida) ou uma mudança de domínio.
Porque é que um site novo perde tráfego
O Google não classifica sites: classifica páginas, cada uma no seu endereço. Ao longo dos anos, cada página foi ganhando sinais: ligações de outros sites, cliques, histórico. Quando o site novo muda /servicos.php?id=7 para /servicos/criacao-de-sites e o endereço antigo passa a dar erro 404, esses sinais perdem-se. Para o Google, a página antiga desapareceu e a nova começa do zero.
Há outras causas frequentes: textos que rankeavam e foram cortados no redesenho, títulos reescritos sem cuidado, o site novo a ir para o ar com o bloqueio de indexação do ambiente de testes, ou um site mais lento do que o anterior.
Antes da mudança
1. Fazer o inventário dos endereços
Junte todos os endereços que o site antigo tem: o sitemap, o relatório de páginas da Google Search Console, as páginas com tráfego no Google Analytics e as que recebem ligações de outros sites. Uma ferramenta de rastreio (Screaming Frog, por exemplo) completa a lista. Num site de uma PME, são normalmente entre 50 e 500 endereços, contando artigos, produtos e imagens importantes.
2. Guardar o ponto de partida
Exporte da Search Console os cliques, as impressões e as posições dos últimos 16 meses, por página e por pesquisa. Sem estes números, não vai conseguir provar que a mudança correu bem, nem descobrir onde correu mal.
3. Fazer o mapa de redireccionamentos
É a peça mais importante. Uma folha de cálculo com duas colunas: o endereço antigo e o endereço novo equivalente. As regras:
- Um para um. Cada página antiga aponta para a página nova com o mesmo assunto, não para a página inicial.
- Redireccionamentos 301 (permanentes), feitos no servidor. Nada de redireccionamentos por JavaScript ou por meta refresh.
- Sem cadeias. Se uma página já tinha sido redireccionada antes, o endereço mais antigo aponta directamente para o destino final.
- Uma página que deixou mesmo de existir, sem equivalente, pode dar 404 ou 410. Mandar tudo para a página inicial confunde o Google, que trata isso como um erro.
4. Manter o que funciona
As páginas que trazem mais visitas devem manter o essencial: o mesmo tema, um título parecido, os subtítulos e o texto que responde à pesquisa. Melhore-as, mas não as reduza a uma frase e uma fotografia em nome do design.
5. Testar o site novo antes de abrir
O ambiente de testes deve estar protegido por palavra-passe ou com indexação bloqueada, para o Google não o encontrar antes do tempo. Antes do dia, verifique a velocidade (os Core Web Vitals), os títulos e descrições, as ligações internas, os dados estruturados e a versão no telemóvel.
No dia da mudança
- Activar os redireccionamentos e testar uma amostra grande: cada endereço antigo deve responder com 301 e levar ao destino certo.
- Retirar o bloqueio de indexação do ambiente de testes: a etiqueta
noindex, a palavra-passe e as regras do robots.txt. É o erro mais caro e um dos mais comuns. - Submeter o sitemap novo na Search Console.
- Se o domínio mudou: verificar o domínio novo na Search Console e usar a ferramenta de alteração de morada, a partir da propriedade do domínio antigo.
- Confirmar as estatísticas: a etiqueta do Analytics e as conversões estão no site novo e a contar.
- Actualizar as ligações que controla: Perfil da Empresa no Google, redes sociais, anúncios, assinaturas de email e directórios.
Escolha um dia calmo para a empresa, de preferência no início da semana, e evite as épocas de mais vendas.
Depois da mudança
Nas primeiras semanas é normal ver alguma oscilação: o Google tem de visitar os endereços antigos, seguir os redireccionamentos e transferir os sinais. Num site pequeno ou médio isto leva algumas semanas; num site grande, mais. O que importa é a tendência.
- Diariamente, na primeira semana: erros 404 e de servidor no relatório de páginas da Search Console e nos registos do servidor. Cada 404 com tráfego ou com ligações externas merece um redireccionamento novo.
- Semanalmente, no primeiro mês: cliques e posições das páginas principais, comparados com o ponto de partida.
- Manter os redireccionamentos durante pelo menos um ano, e de preferência para sempre. Custam pouco e continua a haver ligações antigas a usá-los.
- Se mudou de domínio, mantenha o domínio antigo registado e a redireccionar. Deixá-lo expirar deita fora anos de ligações.
Erros que vemos com mais frequência
- Tudo redireccionado para a página inicial.
- O site novo publicado com
noindexou com o robots.txt de testes. - Mudar de domínio, de estrutura e de conteúdo ao mesmo tempo, o que torna impossível perceber o que correu mal. Se puder, faça uma coisa de cada vez.
- Esquecer as versões http, sem www e com barra final, que também têm de ir parar ao endereço certo.
- Imagens e PDF que tinham tráfego próprio e ficaram sem redireccionamento.
- Retirar os redireccionamentos meses depois para "limpar" o servidor.
Em resumo
Um site novo não tem de perder o Google. O trabalho que o protege é pouco visível: um inventário, uma folha de redireccionamentos, uma lista de testes no dia e algumas semanas de acompanhamento. Para os pormenores técnicos, a nossa checklist de SEO técnico ajuda a rever o site novo depois de estar no ar.
Na MarcaWeb, o mapa de redireccionamentos e o acompanhamento da Search Console fazem parte de todos os projectos de redesenho. Se está a pensar mudar de site, peça uma proposta. Respondemos em 48 horas.


